INFRAMARGEM – Margens de Um Mundo Infravermelho

Gustavo Bettini 01

Ao observar as imagens que compõem a exposição “Inframargem”, do fotógrafo Gustavo Bettini, fui acometido por uma turva idéia de perda de proteção. Fazendo uso do filme infravermelho (Ektachrome IR), de uso militar, policial, médico e, também, artístico, Bettini nos convoca a uma (des)nudez das cores.

Como a película usada é sensível às ondas infravermelhas – invisíveis aos olhos, temos a tênue sensação de que estamos diante de um processo de despimento dos raios luminosos, das emulsões e, conseqüentemente, das cores e das paisagens.

E despir algo do visível, já nos alertou o filósofo Maurice Merleau-Ponty, é tirar-lhe a proteção.

As paisagens captadas por Gustavo Bettini estão, portanto, nuas, desprotegidas. Paisagens, muitas vezes, usuais, sem as roupas das cores que nossa retinas estão acostumadas a vê-las. Temos expostas fotografias que sintetizam a idéia das margens: estradas, águas, vidas, passagens.

Mas, sugiro enxergarmos que estamos também nas margens da película, do suporte: Gustavo Bettini usa um filme que já teve a comercialização proibida no Brasil, é raro, tanto revela cores quanto esconde outras.

Um filme usado para enxergar danos à vegetação, revelar o real, despojá-lo.

No entanto, o que se vê neste conjunto de imagens é um real, algumas vezes, nonsense, outras, ligeiramente surreal no desnudamento das inframargens – margens de um mundo infravermelho.

O trabalho exposto revela um processo: um fotógrafo em busca de entender seu filme, tentar prever o resultado, ter seu foco “atrapalhado” pela luz infravermelha que desnuda, muitas vezes, a definição.

Sugiro caminharmos por estas fotografias vestindo um olhar desprotegido, desnudando qualquer forma de proteção.

Thiago Soares

Jornalista e coordenador do curso de Bacharelado em Fotografia das

Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso)

Gustavo Bettini

Paulistano, nascido em 1980, Gustavo Bettini iniciou sua carreira fotográfica em Pernambuco, onde mora desde 2000. Apesar de ter sua formação acadêmica em Turismo e Hotelaria, buscou a profissionalização ainda na graduação, cursando as disciplinas de Fotojornalismo e Fotopublicidade, quando foi selecionado para estágio, e em seguida contratado pelo Jornal Folha de Pernambuco, onde trabalhou de 2003 a 2008. Bettini tem no fotojornalismo sua base de formação e identidade. Atualmente ensina fotografia na Faculdade Boa Viagem.

Na busca constante por aperfeiçoamento e conhecimento, especializou-se em Jornalismo Cultural e tem realizado projetos paralelos ao fotojornalismo. Foi orientador da Primeira Jornada Fotográfica do Recife, promovida pela Prefeitura da Cidade. Atualmente tem se dedicado ao estudo e experimentações da fotografia infravermelha.

Menção honrosa no 11º Concurso Itaú BBA de Fotografias, participando da Exposição no Museu da Casa Brasileira, em 2006;

Selecionado para exposição na Bienal Internacional de Fotografia da Espanha Aqueducte 2006, um dos principais eventos da fotografia mundial;

Vencedor da seleção de portfólios da segunda edição do Paraty em foco, evento que reúne os principais profissionais da fotografia no país.

A visitação é gratuita, de segunda a sexta, das 14h às 20h.

Início: 23/10

Término: 18/12

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